Há dias em que nos sentimos menos bem. Eu, com os meus 73 anos, às vezes sinto-me um bocadito velha. E, hoje, foi um desses dias.Dia de Fevereiro, frio e cinzento, em que só com muitos agasalhos nos sentimos confortáveis, em que não há sol para nos aquecer nem carinho de brisa para nos refrescar.
Entrei na farmácia. Enquanto esperava pela minha vez, nasceu o sol em cima da bancada! Eu rejuvenesci...
Foram-se as rugas e as cicatrizes,a velhice e a flacidez, o acne, as verrugas e as manchas na pele!
E como? Porquê? Como se deu esse "milagre"?
Fui lendo o que estava escrito num lindo papel acetinado, decorado a verde, com sombras e espirais:
"Elimina as rugas.
Hidrata em profundidade.
Regenera os tecidos e trata as feridas.
Retarda o envelhecimento da pele.
Suaviza cicatrizes e estrias.
Combate a flacidez.
Atenua e elimina manchas da pele.
Actua no acne.
Actua nas verrugas.
Acalma as queimaduras solares."
Que bom! Foram-se logo todos aqueles males. O remédio actuou em cheio, mesmo sem comprar um frasco. Era baba de caracol! Há tantos no meu quintal...
Senti-me lambida por toda aquela bicharada tão simpática e tão nojenta.
Uma boa gargalhada é um remédio salutar.
A imaginação, a graça, a sugestão, são tudo ingredientes com grande poder curativo...
Apeteceu-me acrescentar mais uma, aquela lista tão pormenorizada das virtudes da baba de caracol: Rejuvenesce, levanta a moral e dispõe bem!
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Amigos... Amigos... e mais Amigos
Gosto de ter Amigos. Os Amigos enriquecem-me. Dão-me muito. Não falo em riquezas materiais, presentes ou dinheiro, mas em alegrias, tristezas às vezes também, apoio, fazem-me rir, dispõem-me bem, dão-me oportunidades de me sentir útil e também me dão saudades quando estão longe.
Para mim um Amigo assemelha-se a uma árvore especial que eu ajudo a crescer, que rego nos dias de estio, que estende os seus ramos para me acolher nas tempestades, que se transforma em bordão quando preciso de ajuda, que me entende e eu entendo mesmo sem palavras, nem barulhos, nem falsidades, nem jogos de influências, nem segundas intenções.
Sempre gostei de ter Amigos, desde a escola primária: havia os que iam lá para casa brincar comigo, a amiga com quem ia sempre para a escola e que era bem mais ajuizada que eu e me dizia: não meta os pés na água Sãozinha… e eu metia sempre… e espalhava a água… e ficava cheia de lama… e era divertido!
E as amigas do colégio! Fazíamos tantas brincadeiras, chorávamos e ríamos juntas. O colégio, o Ramalhão, os fins de semana, as festas, os teatros, os carnavais…
E depois no Liceu, as grandes conversas com as amigas, a Acção Católica, as reuniões, o sentido dos outros e as nossas preocupações com o caminho que começávamos a percorrer.
Na Universidade, os colegas amigos com quem estudava… trocávamos impressões, resolvíamos problemas, ajudávamo-nos. Não me lembro de haver competição, ficávamos contentes com os bons resultados uns dos outros.
E a Vida continuou… e mais amigos vieram.
A diversidade na Vida e a diversidade nos Amigos. Amigos portugueses, amigos estrangeiros, amigos brancos, amigos pretos, amigos amarelos, amigos ricos, amigos pobres, amigos cultos, amigos cheios de sabedoria mas sem o conhecimento dos livros, amigos adultos, amigos jovens, amigos crianças…
Passam na minha frente como um filme todos estes amigos, mesmo os que já se foram… E dentro da minha cabeça tenho guardados todos os ensinamentos e todos os testemunhos que me deram. Estão lá bem escondidos, bem no fundo, mas agora que o tempo é todo meu vêm mais vezes à superfície, quando é oportuno e quando não é, e até em sonhos.
Estou a lembrar-me de duas amigas que estão muito longe, no tempo e no espaço mas que para mim continuam presentes e actuais.
A Takawishi, japonesa, em Londres, que à hora de jantar corria a nossa casa com o tachinho quente a deixar-nos um pouco da especialidade da sua terra, que tinha acabado de cozinhar para os amigos que já lá estavam em casa com o marido, e ela… uff… uff… uff… lá voltava a correr… E pela manhã aparecia a perguntar-me o que precisava do supermercado e mais tarde voltava carregada com os sacos dela e os meus… porque eu estava grávida e não me devia cansar… E quase não falava inglês, mas a amizade supria a falta das palavras e o entendimento era perfeito.
A Dr. Fedukowicz, russa, em Nova Iorque, com uma experiência de vida fabulosa, professora da Universidade de Kiev, na Rússia, fugitiva no tempo de Stalin, refugiada num campo de concentração durante a guerra, e mais tarde novamente professora na New York University. Desempenhou para mim o papel de mãe nos Estados Unidos e de Avó para as minhas filhas pequenitas.
E agora, na última etapa da minha vida, que espero seja longa, com a ajuda de Deus, tenho ainda o privilégio de fazer novos amigos. Continuo a precisar de ajuda e continuo a gostar de ajudar, gosto de novos desafios e de novas vivências, de simplicidade e de humanismo e é isto que tenho continuado a encontrar…
Para mim um Amigo assemelha-se a uma árvore especial que eu ajudo a crescer, que rego nos dias de estio, que estende os seus ramos para me acolher nas tempestades, que se transforma em bordão quando preciso de ajuda, que me entende e eu entendo mesmo sem palavras, nem barulhos, nem falsidades, nem jogos de influências, nem segundas intenções.
Sempre gostei de ter Amigos, desde a escola primária: havia os que iam lá para casa brincar comigo, a amiga com quem ia sempre para a escola e que era bem mais ajuizada que eu e me dizia: não meta os pés na água Sãozinha… e eu metia sempre… e espalhava a água… e ficava cheia de lama… e era divertido!
E as amigas do colégio! Fazíamos tantas brincadeiras, chorávamos e ríamos juntas. O colégio, o Ramalhão, os fins de semana, as festas, os teatros, os carnavais…
E depois no Liceu, as grandes conversas com as amigas, a Acção Católica, as reuniões, o sentido dos outros e as nossas preocupações com o caminho que começávamos a percorrer.
Na Universidade, os colegas amigos com quem estudava… trocávamos impressões, resolvíamos problemas, ajudávamo-nos. Não me lembro de haver competição, ficávamos contentes com os bons resultados uns dos outros.
E a Vida continuou… e mais amigos vieram.
A diversidade na Vida e a diversidade nos Amigos. Amigos portugueses, amigos estrangeiros, amigos brancos, amigos pretos, amigos amarelos, amigos ricos, amigos pobres, amigos cultos, amigos cheios de sabedoria mas sem o conhecimento dos livros, amigos adultos, amigos jovens, amigos crianças…
Passam na minha frente como um filme todos estes amigos, mesmo os que já se foram… E dentro da minha cabeça tenho guardados todos os ensinamentos e todos os testemunhos que me deram. Estão lá bem escondidos, bem no fundo, mas agora que o tempo é todo meu vêm mais vezes à superfície, quando é oportuno e quando não é, e até em sonhos.
Estou a lembrar-me de duas amigas que estão muito longe, no tempo e no espaço mas que para mim continuam presentes e actuais.
A Takawishi, japonesa, em Londres, que à hora de jantar corria a nossa casa com o tachinho quente a deixar-nos um pouco da especialidade da sua terra, que tinha acabado de cozinhar para os amigos que já lá estavam em casa com o marido, e ela… uff… uff… uff… lá voltava a correr… E pela manhã aparecia a perguntar-me o que precisava do supermercado e mais tarde voltava carregada com os sacos dela e os meus… porque eu estava grávida e não me devia cansar… E quase não falava inglês, mas a amizade supria a falta das palavras e o entendimento era perfeito.
A Dr. Fedukowicz, russa, em Nova Iorque, com uma experiência de vida fabulosa, professora da Universidade de Kiev, na Rússia, fugitiva no tempo de Stalin, refugiada num campo de concentração durante a guerra, e mais tarde novamente professora na New York University. Desempenhou para mim o papel de mãe nos Estados Unidos e de Avó para as minhas filhas pequenitas.
E agora, na última etapa da minha vida, que espero seja longa, com a ajuda de Deus, tenho ainda o privilégio de fazer novos amigos. Continuo a precisar de ajuda e continuo a gostar de ajudar, gosto de novos desafios e de novas vivências, de simplicidade e de humanismo e é isto que tenho continuado a encontrar…
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
O Menino que não tinha pernas
Cody nasceu com as pernas atrofiadas. Disseram aos Pais que ele não ia sobreviver, mas sobreviveu. Aos 15 meses foi preciso amputarem-lhe as pernas. Teve as primeiras próteses aos 18 meses e na primeira sessão de fisioterapia começou a andar. Daí em diante foi um turbilhão de vida: salta, corre, nada, diz que há-de ser campeão olímpico. Tem 3 próteses diferentes,: “estas são as minhas pernas de correr e como tenho várias pernas consigo fazer tudo”. Gosta que todos saibam que é um menino “especial” e no seu vocabulário não entra a frase “não consigo”. Também nasceu só com uma corda vocal, diziam que nunca havia de falar, mas fala correctamente. Tem agora seis anos e irradia felicidade.
Felicidade… O que é ser feliz? Quando conseguimos ultrapassar as nossas limitações, as físicas ou outras, algumas que temos bem escondidas dentro de nós e que mais ninguém conhece, então temos o sentimento da felicidade. É difícil, é custoso, às vezes dói, é preciso esforço e persistência, mas é tão bom. Sentimo-nos como o Cody se sente com as suas pernas de correr, ou como a Helen Keller se sentia ao fazer conferências pelo mundo fora.
E ser infeliz, como será? É ver cair o mundo, à nossa volta e dentro de nós. É desistir… Seria, no caso do Cody, ficar imobilizado, deitado no berço, até morrer. E no caso da Helen Keller, viver na escuridão, no silêncio, atrás de um muro, isolada do mundo.
As nossas limitações, no geral, não são tão visíveis com as do Cody ou da Helen Keller. Às vezes é difícil darmo-nos conta delas, dessas intimas que ninguém vê. Há uma voz que nos diz” vence a limitação” e outra que teima “não é limitação nenhuma, eu quero é ser assim”. E se a reconhecemos também acontece às vezes não termos força para a vencer e desistimos… e ficamos infelizes.
Cada um de nós tem de descobrir os seus pontos fracos e não ceder à tentação de querer descobrir os dos outros. Eu é que me venço, ninguém vence por mim nem eu venço pelos outros. Mas o exemplo é salutar, eu estou a fazer esta reflexão porque a história do Cody me fez pensar.
Fez-me pensar nas limitações que eu gostava de vencer. Apesar de já estar na fase decrescente da minha vida, até morrer, é sempre tempo de melhorar e de sentir a felicidade de vencer dentro de nós. Já venci algumas vezes e senti-me feliz, também já perdi mas não desisti. Não vou dizer quais são os meus pontos fracos, mas acredito que os meus filhos que me conhecem bem são capazes de adivinhar alguns.
Esforcem-se, também, todos, primeiro por descobrir as verdadeiras limitações e depois por ultrapassá-las. Até os mais pequenitos podem desde já esforçar-se, o Cody começou aos dezoito meses.
Beijos para todos da Mãe e Avóinha
Felicidade… O que é ser feliz? Quando conseguimos ultrapassar as nossas limitações, as físicas ou outras, algumas que temos bem escondidas dentro de nós e que mais ninguém conhece, então temos o sentimento da felicidade. É difícil, é custoso, às vezes dói, é preciso esforço e persistência, mas é tão bom. Sentimo-nos como o Cody se sente com as suas pernas de correr, ou como a Helen Keller se sentia ao fazer conferências pelo mundo fora.
E ser infeliz, como será? É ver cair o mundo, à nossa volta e dentro de nós. É desistir… Seria, no caso do Cody, ficar imobilizado, deitado no berço, até morrer. E no caso da Helen Keller, viver na escuridão, no silêncio, atrás de um muro, isolada do mundo.
As nossas limitações, no geral, não são tão visíveis com as do Cody ou da Helen Keller. Às vezes é difícil darmo-nos conta delas, dessas intimas que ninguém vê. Há uma voz que nos diz” vence a limitação” e outra que teima “não é limitação nenhuma, eu quero é ser assim”. E se a reconhecemos também acontece às vezes não termos força para a vencer e desistimos… e ficamos infelizes.
Cada um de nós tem de descobrir os seus pontos fracos e não ceder à tentação de querer descobrir os dos outros. Eu é que me venço, ninguém vence por mim nem eu venço pelos outros. Mas o exemplo é salutar, eu estou a fazer esta reflexão porque a história do Cody me fez pensar.
Fez-me pensar nas limitações que eu gostava de vencer. Apesar de já estar na fase decrescente da minha vida, até morrer, é sempre tempo de melhorar e de sentir a felicidade de vencer dentro de nós. Já venci algumas vezes e senti-me feliz, também já perdi mas não desisti. Não vou dizer quais são os meus pontos fracos, mas acredito que os meus filhos que me conhecem bem são capazes de adivinhar alguns.
Esforcem-se, também, todos, primeiro por descobrir as verdadeiras limitações e depois por ultrapassá-las. Até os mais pequenitos podem desde já esforçar-se, o Cody começou aos dezoito meses.
Beijos para todos da Mãe e Avóinha
A Minha Conversa com o Sobreiro
A Minha Conversa com o Sobreiro
Um dia, quando eu morrer...
Gostava de sobreiro ser…
Quem foste tu sobreiro?
Onde pensas inda chegar?
Recordas o teu passado?
Ou não o queres lembrar?
Se eu estiver em silêncio,
Perto de ti a escutar…
Ouço tudo o que me dizes,
Parece que estás a falar…
“Não sei o que fui,
Mas sou feliz…
Só sei que não acabei,
Me transformei…
Agora a vida é tranquila,
Sempre aqui no meu lugar,
A pensar e a sonhar…”
“Oiço o cantar dos passarinhos,
Vejo as giestas a dançar,
Sinto o cheiro dos rosmaninhos,
A aldeia lá longe a brilhar…
E à noite, devagarinho…
Acariciam-me as estrelas e o luar!...”
Será isso o paraíso?
Diz-me sobreiro, quero saber…
A tua vida eu gostava
De um dia vir a ter…
Estou cansada de labutar,
Desta vida sempre a correr.
Não tenho pressa de mudar,
Gosto mesmo de viver.
Mas quando a hora chegar…
Sobreiro eu queria ser…
E o meu amigo sobreiro
Diz-me agora a sorrir:
“Em verdade, companheiro,
Não vale a pena fugir…
O paraíso nós o fazemos,
Sem temor, com paz, tranquilidade,
É aquilo que queremos:
Depois da Vida… a Eternidade…
Um dia, quando eu morrer...
Gostava de sobreiro ser…
Quem foste tu sobreiro?
Onde pensas inda chegar?
Recordas o teu passado?
Ou não o queres lembrar?
Se eu estiver em silêncio,
Perto de ti a escutar…
Ouço tudo o que me dizes,
Parece que estás a falar…
“Não sei o que fui,
Mas sou feliz…
Só sei que não acabei,
Me transformei…
Agora a vida é tranquila,
Sempre aqui no meu lugar,
A pensar e a sonhar…”
“Oiço o cantar dos passarinhos,
Vejo as giestas a dançar,
Sinto o cheiro dos rosmaninhos,
A aldeia lá longe a brilhar…
E à noite, devagarinho…
Acariciam-me as estrelas e o luar!...”
Será isso o paraíso?
Diz-me sobreiro, quero saber…
A tua vida eu gostava
De um dia vir a ter…
Estou cansada de labutar,
Desta vida sempre a correr.
Não tenho pressa de mudar,
Gosto mesmo de viver.
Mas quando a hora chegar…
Sobreiro eu queria ser…
E o meu amigo sobreiro
Diz-me agora a sorrir:
“Em verdade, companheiro,
Não vale a pena fugir…
O paraíso nós o fazemos,
Sem temor, com paz, tranquilidade,
É aquilo que queremos:
Depois da Vida… a Eternidade…
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Reviver na terceira idade
Gosto de desafios! Mesmo na terceira idade ainda gosto de desafios!
Com tempo, com saúde e com entusiasmo podemos continuar a ter uma vida útil, a ajudar outros e a ajudar-nos a nós próprios.
Vou começar amanhã a dar aulas na Usenior de Odivelas que funciona aqui na Ramada no Instituto Superior de Ciências Educativas. A disciplina chama-se "Matemática no Quotidiano" e o meu desafio vai ser despertar interesse, nas pessoas da terceira idade, pelos números, pela resolução de problemas e mostrar como a Matemática é divertida e como está sempre presente nas nossas vidas.
Tive experiências tão marcantes ao longo dos anos com os jovens que me passaram pelas mãos... Será que agora também vou ter experiências marcantes, embora diferentes, com estes, menos jovens mas ainda com entusiasmo para se inscreverem numa disciplina de Matemática?
Com tempo, com saúde e com entusiasmo podemos continuar a ter uma vida útil, a ajudar outros e a ajudar-nos a nós próprios.
Vou começar amanhã a dar aulas na Usenior de Odivelas que funciona aqui na Ramada no Instituto Superior de Ciências Educativas. A disciplina chama-se "Matemática no Quotidiano" e o meu desafio vai ser despertar interesse, nas pessoas da terceira idade, pelos números, pela resolução de problemas e mostrar como a Matemática é divertida e como está sempre presente nas nossas vidas.
Tive experiências tão marcantes ao longo dos anos com os jovens que me passaram pelas mãos... Será que agora também vou ter experiências marcantes, embora diferentes, com estes, menos jovens mas ainda com entusiasmo para se inscreverem numa disciplina de Matemática?
domingo, 11 de julho de 2010
Abriu mais um a flor
Abriu mais uma flor...
O nosso jardim está em festa!
Flor muito desejada. Tanta coragem, esforço e sobressalto para chegar a este dia.
Vivam os Pais, vivam os Irmãos, vivam todos os que apoiaram, sofreram, temeram, mas que agora estão em festa.
É lindo este botão de flor. Perfeitinho, cabeça redonda, pouco cabelo, bochechudo, queixo pequenino, mãos e pés grandes, muito calmo. Os olhitos ainda não lhos vi porque esteve sempre a dormir durante a minha visita.
Começou agora a contagem do seu tempo. Que não corra atrás dele, que o deixe fluir lentamente, que o aprecie e aproveite. E que um dia, quando perceber como o tempo é lindo, quando estiver na Primavera do tempo e no Outono da vida, se possa lembrar duma Avó que viveu há muitos anos e lhe deixou algumas flores do seu tempo em flor, a primeira das quais foi esta.
O nosso jardim está em festa!
Flor muito desejada. Tanta coragem, esforço e sobressalto para chegar a este dia.
Vivam os Pais, vivam os Irmãos, vivam todos os que apoiaram, sofreram, temeram, mas que agora estão em festa.
É lindo este botão de flor. Perfeitinho, cabeça redonda, pouco cabelo, bochechudo, queixo pequenino, mãos e pés grandes, muito calmo. Os olhitos ainda não lhos vi porque esteve sempre a dormir durante a minha visita.
Começou agora a contagem do seu tempo. Que não corra atrás dele, que o deixe fluir lentamente, que o aprecie e aproveite. E que um dia, quando perceber como o tempo é lindo, quando estiver na Primavera do tempo e no Outono da vida, se possa lembrar duma Avó que viveu há muitos anos e lhe deixou algumas flores do seu tempo em flor, a primeira das quais foi esta.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
A Crise
A Crise
Há três dias que andamos um bocado esquecidos da crise…
Outras notícias têm prendido a nossa atenção e a desviado deste problema que a todos toca e que prejudica quase todos.
Morreu o Saramago. Uma notícia triste, a morte é sempre triste, até mesmo nos velhinhos que parece já terem cumprido a sua missão. O Saramago cumpriu-a, ajudou a espalhar por esse mundo a língua portuguesa e parece que a dignificou pois até ganhou um prémio Nobel.
Também espalhou o seu ódio a Deus e à Igreja Católica e foi bem sucedido
pois os seus livros foram traduzidos e espalhados pelo mundo inteiro.
Começou do nada, só tardiamente se dedicou à escrita, também só tardiamente descobriu a mulher a quem amou e que o acompanhou até ao fim. Zangou-se com Portugal, foi viver para Lanzarote. Quis que as suas cinzas ficassem em Portugal, foi o regresso às origens. Terá tido um fim de vida feliz?...
Li alguns livros dele. O primeiro, ainda antes de ser conhecido, gostei muito, eram crónicas publicadas em jornais muito bem escritas. Depois, li “ Memorial do Convento” também gostei mas cansou-me aquela escrita tão seguida, tão ofegante, tão cavalgada. A “Jangada de Pedra” não consegui ler até ao fim. “Ensaio sobre a Cegueira” chocou-me, senti que ele queria mesmo chocar as pessoas para as fazer despertar para problemas importantes do nosso aqui e agora. Zanguei-me com ele e pensei que nunca mais o voltaria a ler. Afinal ainda li ”O Evangelho Segundo Jesus Cristo” era um livro tão polémico, resolvi lê-lo para poder formar a minha opinião. Forcei-me a acabá-lo, não gostei nem do livro nem da atitude do autor. Na minha opinião ele era um homem inteligente a dizer coisas nas quais não acreditava, servindo-se do seu dom da escrita para baralhar os incautos que o liam e destilar o seu ódio à Igreja Católica.
Não voltei a ler Saramago. Agora morreu… Paz à sua alma.
Hoje, a notícia que nos desviou da crise foi bem mais alegre: Campeonato do Mundo de Futebol – Portugal/Coreia do Norte. Grande goleada! Ganhámos 7 – 0! Portugal inteiro está em festa. Todos os portugueses estão em festa, aqui ou em qualquer canto do mundo. Todos festejam, todos se sentem quase campeões.
Que estranha gente somos nós, que tão depressa nos desprezamos
como nos elevamos aos píncaros do mundo? Se fossemos mais organizados e mais persistentes, com todo o entusiasmo que temos, venceríamos com certeza todas as crises.
Amanhã voltamos ao desemprego, ao aumento dos impostos, aos juros mais altos se precisarmos de dinheiro e mais baixos se o quisermos aplicar, aos empréstimos mais difíceis, à demagogia das grandes obras, às portagens das Scouts, aos produtos de primeira necessidade mais caros, ao apertar do cinto da classe média e dos portugueses mais pobres.
Valham-nos outros Saramagos e outros futebóis para nos irem amaciando as durezas da vida…
E, sofridamente vamos esperando que um dia, como dizia Camões,
“Não vos hão-de faltar, Gente famosa,
Honra, valor e fama gloriosa!”
(Lusíadas, Canto X, 74)
Há três dias que andamos um bocado esquecidos da crise…
Outras notícias têm prendido a nossa atenção e a desviado deste problema que a todos toca e que prejudica quase todos.
Morreu o Saramago. Uma notícia triste, a morte é sempre triste, até mesmo nos velhinhos que parece já terem cumprido a sua missão. O Saramago cumpriu-a, ajudou a espalhar por esse mundo a língua portuguesa e parece que a dignificou pois até ganhou um prémio Nobel.
Também espalhou o seu ódio a Deus e à Igreja Católica e foi bem sucedido
pois os seus livros foram traduzidos e espalhados pelo mundo inteiro.
Começou do nada, só tardiamente se dedicou à escrita, também só tardiamente descobriu a mulher a quem amou e que o acompanhou até ao fim. Zangou-se com Portugal, foi viver para Lanzarote. Quis que as suas cinzas ficassem em Portugal, foi o regresso às origens. Terá tido um fim de vida feliz?...
Li alguns livros dele. O primeiro, ainda antes de ser conhecido, gostei muito, eram crónicas publicadas em jornais muito bem escritas. Depois, li “ Memorial do Convento” também gostei mas cansou-me aquela escrita tão seguida, tão ofegante, tão cavalgada. A “Jangada de Pedra” não consegui ler até ao fim. “Ensaio sobre a Cegueira” chocou-me, senti que ele queria mesmo chocar as pessoas para as fazer despertar para problemas importantes do nosso aqui e agora. Zanguei-me com ele e pensei que nunca mais o voltaria a ler. Afinal ainda li ”O Evangelho Segundo Jesus Cristo” era um livro tão polémico, resolvi lê-lo para poder formar a minha opinião. Forcei-me a acabá-lo, não gostei nem do livro nem da atitude do autor. Na minha opinião ele era um homem inteligente a dizer coisas nas quais não acreditava, servindo-se do seu dom da escrita para baralhar os incautos que o liam e destilar o seu ódio à Igreja Católica.
Não voltei a ler Saramago. Agora morreu… Paz à sua alma.
Hoje, a notícia que nos desviou da crise foi bem mais alegre: Campeonato do Mundo de Futebol – Portugal/Coreia do Norte. Grande goleada! Ganhámos 7 – 0! Portugal inteiro está em festa. Todos os portugueses estão em festa, aqui ou em qualquer canto do mundo. Todos festejam, todos se sentem quase campeões.
Que estranha gente somos nós, que tão depressa nos desprezamos
como nos elevamos aos píncaros do mundo? Se fossemos mais organizados e mais persistentes, com todo o entusiasmo que temos, venceríamos com certeza todas as crises.
Amanhã voltamos ao desemprego, ao aumento dos impostos, aos juros mais altos se precisarmos de dinheiro e mais baixos se o quisermos aplicar, aos empréstimos mais difíceis, à demagogia das grandes obras, às portagens das Scouts, aos produtos de primeira necessidade mais caros, ao apertar do cinto da classe média e dos portugueses mais pobres.
Valham-nos outros Saramagos e outros futebóis para nos irem amaciando as durezas da vida…
E, sofridamente vamos esperando que um dia, como dizia Camões,
“Não vos hão-de faltar, Gente famosa,
Honra, valor e fama gloriosa!”
(Lusíadas, Canto X, 74)
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