sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Subir Escadas

Subir escadas na Vida,
Nem sempre é uma corrida…

No começo,
As escadas são tão altas!
Sobem-se a gatinhar,
Com receio de cair
E de se magoar…

Depois,
Sobem-se as escadas a correr
Sem cuidar do que vai acontecer…

Mais adiante,
As escadas sobem-se a andar
Cada vez mais devagar…

Agora,
Subo as escadas a meditar,
Até dá para escrevinhar…

Quando já não subir escadas…
A Vida acabou,
Sobe-se ao céu numa rajada
Mais depressa que nada,
A escada terminou…
O elevador funcionou.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

mensagem de Natal 2014


Mensagem de Natal de 2014

 

            O nosso mundo é tão pequenino!

 Somos uma areia mínima neste areal imenso que é o Universo!

 Como é possível tanta convulsão neste pobre grãozinho de areia!

 São as políticas… a corrupção …e as guerras…

 Os homens esquecem-se que nada são  perante Deus e o seu Universo.

 

Quero sair deste pó do Universo.


E o nosso pensamento, voa, voa, por esses espaços além, rompe o pó do Universo e fica a pairar nas suas distâncias inimagináveis para todo o sempre…

 

Há dias  fui “tocada” por um desconhecido, um professor de matemática, que falou numa conferência que me foi dado ouvir, pela internet. Toda a conferencia me impressionou, mas mais ainda esta reflexão  que reproduzo:

… “Um dia estava a falar de inteligência emocional e contei-lhes a História da minha BOLA DE SABÃO.  …Todos nós vivemos dentro de uma bola de sabão que nos protege do mundo, protege-nos, mas também nos torna egoístas, há dias em que essa bola está muito negra.

  Um dia eu resolvi ir à natação. …Entrei no balneário, recusei-me a ver quem lá estava, voltei-me para a parede e comecei a despir-me. De repente alguém me toca no braço:  Bom dia! eu também vim treinar -  era como se eu tivesse acordado – olhei, e era um menino lindo, tinha no máximo 8 anos. Tinha tido a ousadia de rebentar a minha bola de sabão para me deixar o dia mais feliz.

Vocês podem fazer isto todos os dias.

 

Eu não sei como contei isto mas lembro-me de que a sala tremeu por instantes, eles ficaram imóveis, mas como são jovens e os jovens não são dados a lamechices, um deles levantou o braço e disse: “Eh, professor, nunca mais deixou de dizer bom dia no balneário!

É verdade, eu digo bom dia até aos armários…”

(numa aula de CTCT, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa - . CTCT quer dizer Competências Transversais em Ciências e Tecnologia)

Este professor, o professor Cláudio, é agora  meu amigo, tem esta sensibilidade e conta-nos esta história deliciosa, que não fica atrás das de Saint-Exupéry, e que  tanto me fez pensar…

 

Sinto-me como o menino lindo, de oito anos, com necessidade de “puxar pela manga”  dos meus amigos e familiares.

 

Neste natal o meu pensamento passa por um estábulo frio e húmido com Maria e José a acariciar Jesus, o Menino lindo acabado de nascer. Não sei se estava lá uma vaca e um burro, mas no meu pensamento estavam, com certeza, a acarinhar também Jesus. Esse Menino que já estava a sofrer, e que ia morrer para salvar o mundo dos desvarios dos homens e desse orgulho enorme que nos faz pensar que só nós somos importantes.

Passa também, pela certeza de que o nosso pensamento voa, 

… voa… e lá ficará, distante, a louvar a Deus…  para sempre...

A reflexão do Claudio também me fez pensar…  tantos à nossa volta… e  só com uma palavra deixá-los-emos com um dia mais feliz…

 

E pronto. É o meu presente de Natal para todos.

 

Será que, também eu, tive a ousadia de rebentar as vossas bolas de sabão para vos deixar um dia mais feliz?

Da Mãe, Avó, Irmã, Tia, professora e amiga

Natal de 2014

Maria da Assunção Ferraz de Oliveira

 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O que queres ser quando fores grande?


                0 editorial, deste mês, da revista “Reviver” fez-me pensar… agora que já sou “grande”… muito “grande”… mais de 76 flores reunidas no cesto colorido dos meus anos de vida…  

                Lembro-me muito bem do que dizia em criança, de uma maneira muito simples e direta: “Quero ser mãe e professora”.

                E fui! Esta é a minha felicidade:

 Fui mãe de nove filhos, 3 anjinhos gémeos que lá estão no céu a velar por mim, 4 meninas, hoje senhoras, e 2 rapazes,  já homens.

E fui professora de muitos alunos: gordos e magros; altos e baixos; envergonhados e atrevidos; brancos, pretos e  indianos; portugueses, angolanos, cabo verdianos, guineenses, moçambicanos e até timorenses; e de outros países longínquos, com uma realidade social bem diferente da nossa: paquistaneses, russos, croatas… Não me lembro de todos, mas lembro-me dos que mais me marcaram e  com quem aprendi a aceitar as suas vidas e a viver a minha mais intensamente.

E continuo a ser mãe e professora… E é esta  ainda a minha felicidade:

Para além dos filhos hoje tenho netos, é ser mãe duas vezes. Dão-me muitas alegrias, cada um a seu modo e, quando eu me for… estarei presente no coração deles ainda por muito tempo. É uma saudável aspiração, esta de continuar eternamente…

E ainda sou professora dos meus queridos alunos na USenior de Odivelas. Acho que lhes transmito alguns conhecimentos de Matemática e em troca recebo deles muita amizade e muito carinho.

Sou feliz!... A felicidade é conseguir realizar o que mais queremos na vida!...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Um Tempo de Sonho… e um Sonho no Tempo…

Devagarinho…
Muito de mansinho
O sonho nasceu…
E em mim cresceu.
 
Era hora de entardecer,
 O outono andava no ar,
O tempo a esmorecer…
As pingas caíam
E diziam
Que o Céu estava a chorar.
 
O tempo a esmorecer
E o Céu a chorar,
Nem isso me afastava
Daquele meu sonhar.
 
As árvores despiam-se
As folhas caíam
E vinham- me acariciar,
Eram as mãos pequeninas
De crianças traquinas,
E eu… a sonhar…
 
 Crianças que nunca acarinhei,
Porquê?… Deus meu… não sei…
Não lhes mudei os cueiros,
Nem amparei o andar,
Nunca os meus anseios
Se puderam concretizar…
 
As folhas daquelas árvores,
Castanhas, rosadas,
Um tanto amarrotadas,
Faziam-me sonhar…
As três douradas a rodopiar
 Eram os meus filhos a dançar...
 
Sentia-os naquele momento,
Quando o céu estava a chorar,
 Pequeninos, adolescentes,
Tão reais, tão contentes.
Aqui e agora, comigo,
Neste são compartilhar!
 
E eu…
 A sofrer…
Naquele entardecer…

Recordação dos meus três filhos, Gonçalo Nuno, Vasco Miguel e Sebastião Luís, nascidos no dia 22 de Dezembro de 1970 e sepultados no dia 25 de Dezembro de 1970

Era uma vez uma Vida


A vida é complicada… temos tanto que imaginar…

Imaginamos a vida de insetos pequeninos ou de aves grandes…

De lagartixas e de lavagantes…

De ratinhos ou elefantes…


Cada uma com as suas vidas…

Cada um com as suas lidas…


Muito esforço, muita canseira…

Cada qual luta à sua maneira:

Comer para viver… dormir para viver…

Defender-se do frio e dos maus…

 Para a Vida continuar a ser…


 E os da mesma família ou da mesma raça

 Unem-se para se defender…

E para sobreviver…


 As formigas pelas formigas…

Os lavagantes por os lavagantes…

 As raparigas pelas outras raparigas…

 E os elefantes por outros elefantes…



A Vida, minha filha, também são as pedras

E entre elas a água a marulhar…

No Zêzere, na Serra da Estrela,

Como eu as estou a admirar…

E a imaginar…


A V ida também é a vida

Das moças a despontar…

E das velhinhas como a Avóinha

Que se deliciam a pensar:


Nas netas e nas filhas

Que lhe custaram a criar.

Tanto esforço e canseira.

A labutar a vida inteira…

Para tanto me orgulhar…


Filhas, netas e Avóinha.

Tanto sentir… tanto fazer…

Tanto falar… tanto recordar… tanto conviver…

Para quando o Dia chegar… não esquecer…


Seres pensantes que somos…

Bem nos podemos alegrar!..

A Vida, minha netinha,

Com Esperança e Fé em Deus,

Será sempre um recomeçar...

Na contemplação infinda dos Céus!



                Vale do Zêzere, Serra da Estrela, 
                               21/08/2013
                                              Para a minha neta Margarida, pelos seus 21 anos

                                                                                              Avóinha Sãozinha







quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Informática


Informática

 

Pois é, depois de termos passado a idade de aprender, queremos por força brincar, ou trabalhar (melhor dizendo) com os computadores. Nada melhor do que esforçar-nos, sermos persistentes, não desistirmos. Por isso andamos na Universidade Senior que nos dá VIDA e SAÚDE, e transforma-nos naqueles seres saudáveis com quem convivemos todos os dias.

 

                Assim acontece nas aulas de Introdução à Informática, da nossa querida Fernanda que tem muita paciência para nos aturar:

                                Oh Fernanda não encontro os itens …

                                Oh Fernanda não acerto com o rato …

                                Oh Fernanda desapareceu tudo. Para onde foi?...

                                E oh Fernanda… e oh Fernanda.. e oh Fernanda…

 

                E a  Fernanda, “expert” em Ginástica, salta de um para o outro lado, faz o pino, saltos mortais, flic-flac, espargatas, e lá nos vai valendo a todos:

                               J’a sei trabalhar com o rato!...

                               Já encontro tudo!...

                               Já sei mandar emails!..

Já sei ir ao Google!...

Já sei usar o word!... E o power point!..

Só não sei fazer aquelas coisas bonitas que a Fernanda faz com desenhos, sobreposições, movimentos e com música, …será para a próxima vez, se eu for menos “burra” e se ela não perder a paciência …

 

Se ela não perder a paciência… será uma santa…

E  nós todos, da aula de Introdução a Informática,  cantamos-lhe em coro

Santa Fernanda … Ora pro nobis…

 

Na 1ª Aula de Introdução a Informática de 2013 da Universidade Senior de Odivelas

Instituto Superior de Ciências Educativas - Ramada

                                                                                              Maria da Assunção Ferraz de Oliveira

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Pobre Capilé


Pobre “Capilé”

A “Capilé” era uma boneca muito muito linda, De certo a mais linda  para a  sua Mãe Isabel,  que lhe  dedicava muito carinho e todos os seus amores. Mais linda do que todas as bonecas do mundo, mesmo daquelas compradas em Nova Iorque, no armazém “Macys”, naquela secção dos brinquedos que faziam arregalar os olhos de toda a criançada, especialmente na época de Natal.

            A “Capilé” não tinha sido comprada lá, nem era uma boneca muito especial. Era muito simples com cabelos ruivos, cara tristinha e uma carteira a tiracolo. Não era a eleita da Isabel. Aquela que lhe fazia sentir muito arreigados os seus instintos de Mãe, essa, era a Berlicó: vestia-a, despia-a, dava-lhe beijinhos, andava com ela por todo o lado. A “Capilé” era uma boneca diferente, ela achava que  tinha de a defender, e não lhe negava carinhos e cuidados.

De vez em quando resolvia dar uma lição às minhas Filhas: fazê-las pensar nos outros, nos que não tinham nada; privarem-se do que tinham para que as outras crianças também pudessem ter as alegrias que elas experimentavam. Uma vez sugeri-lhes, sem as obrigar, que dessem qualquer coisa de que gostassem a meninos pequenos que teriam pena de não as ter, e sabe Deus, nem os carinhos duma mãe que se devotasse a eles. As minhas Filhas compreendiam e com sacrifício lá faziam o que eu lhes sugeria e perguntavam a medo – “ e se elas nos estragam as coisas?”

“São delas, as meninas deixam de ser donas. Com certeza, que elas, como as meninas fazem, cuidam das bonecas com o melhor dos cuidados”, dizia eu procurando descansá-las.

            Lá foram todas dando as suas bonecas. Quando chegou a vez da Leonor, esteve quase a ir uma boneca de que ela gostava muito, mas resolvemos dar uma outra que era igualmente bonita e que não tinha tanto significado. A boneca preferida, pretinha e muito engraçada, continuou a ser acarinhada e teve muitos eventos: batismos, casamentos, operações e até muitos enterros. E agora, depois de ter sido acarinhada pelas filhas da Leonor, lá está dentro dum baú, velhita mas sempre jovem, á espera doutros netos que talvez olhem para ela…

            Por último chegou a vez da Isabel, muito pressionada, porque não tivemos mais notícias da boneca da Leonor, resolveu dar a duas miúdas que viviam em frente de nós,  a “Capilé”, de que tanto gostava. Eu convencia, ela iria fazer feliz as duas pequenas, que a tratariam como uma filha.

Passaram-se 15 dias, a Capilé jazia na valeta em frente da nossa casa, sem um olho, sem roupa e com as pernas todas desengonçadas. E foi a Isabel quem a encontrou. Chorou, chorou muito sentidamente e eu arrependi-me com ela.

           Nunca mais me lembrei da "Capilé" até que um dia ouvi a Isabel dizer aos filhos a propósito duma camisola que eles perderam ou estragaram, não sei bem,  -“não deem nada que isso é para estragar”… Fez-me recordar a “Capilé” e pensar de mim para comigo:
          Que mal eu andei ao proporcionar às minhas filhas esta “caridadezinha”.
          Não é dando “peixes aos que não sabem pescar”, que eles os apreciam, pois não fizeram esforço para os alcançar.
         Também não é esta a atitude que devemos ter com as crianças: “Sejam boazinhas e com algum sacrifício terão o reino dos céus”.
         Com o seu sonho destruído, de ânimo leve, pensarão muitas vezes. … “e porquê?”

“E eu? A Mãe... que ensinei?...”

 Lembrei-me da parábola do fariseu: Eu era o doutor da Igreja, que pensava neste contexto: Tenho tanto, até sou orgulhosamente rica… Tenho de ensinar as minhas Filhas, a darem aos outros porque ficarão mais ricas…, ou porque alcançarão mais depressa o reino de Deus. 

No furacão do tempo não tive tempo para pensar, mas agora eu digo aos meus netos:

É preciso não darem com o espírito de que sou maior, sou o melhor de todos. Dêm com o espírito do fariseu, aquele que deu uma lição ao doutor da Igreja, empenhem-se, deem tudo, não só a boneca melhor ou pior, brinquem com os outros meninos que também gostam de brincar e até podem ter ideias mais engraçadas do que as nossas, façam um elo de fraternidade com todas as crianças e assim temos no mundo mais Amor e mais Paz.